É preciso fortalecer a luta das mulheres contra a violência machista fruto opressão patriarcal que nos submete a todo tipo de violência psicológica, verbal, física e econômica. Recebem os salários mais baixos, estão nos empregos mais precários; sofrem com a dupla jornada; são vítimas de mutilações e morrem por causa de abortos inseguros e clandestinos; sofrem com todo tipo de agressões, abusos, estupros e feminicídio. Uma longa cadeia de violência sustentada pelo patriarcado e pelo capitalismo.

Em um país onde a violência contra a mulher bate recordes, a bancada evangélica, Sara Winter, a Ministra Damares, não somente propõe criminalizar o aborto mesmo em caso de estupro ou risco de vida (únicos casos em que é permitido legalmente no Brasil), como também atacam crianças que foram estupradas. É o mesmo país em que a direita golpista quer impor projetos de proibição da discussão de gênero nas escolas.

A reforma trabalhista e da previdência, frutos do golpe institucional, legou às mulheres mais precarização do trabalho, maior exploração, e aumentou os anos necessários para a mulher se aposentar. As mulheres, que já acumulam um dupla jornada, pois é sobre os seus ombros que recai o cuidado dos filhos, dos familiares, dos doentes e de todas as tarefas do lar, vão trabalhar até morrer nos piores postos de trabalho com essas reformas e os ataques verde-amarelo de Bolsonaro e dos golpistas como Rodrigo Maia e o STF.  

Por isso, é fundamental que a organização das mulheres tome cada local de trabalho e de estudo, e que possa nas eleições também se expressar com toda a força.

Sabemos que é apenas ao lado dos trabalhadores e com uma luta anticapitalista, contra esse sistema que lucra com a opressão às mulheres, que podemos enfrentar a raiz do machismo e lutar de forma consequente pela libertação das mulheres, contra a violência, a desigualdade salarial, pelo direito ao próprio corpo e pela legalização do aborto. A falta de mulheres no parlamento é uma expressão do patriarcado. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que não é a mera chegada a mulheres ao poder que transforma a vida de milhões de trabalhadoras e mulheres pobres: Joice Hasselman, Janaína Paschoal, Damares Alves e tantas outras são inimigas das mulheres.

Nossa Bancada terá como prioridade a luta das mulheres contando com uma das maiores referência no debate sobre feminismo marxista no Brasil, que é a companheira Diana Assunção, fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas e autora de diversas publicações como o livro A precarização tem rosto de mulher, entre outros.

Lutamos por educação sexual nas escolas, pela distribuição gratuita de contraceptivos e pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito garantido pelo SUS. Não queremos mais nenhuma mulher morta por abortos clandestinos em nosso país.

Pelo direito pleno à maternidade, criminalizar a violência obstétrica que ocorre em hospitais e maternidades. Pela contratação de obstetrizes e por condições dignas de parto nas maternidades, com direito de escolha da mãe pela forma de parto que deseja, sem imposição de cesáreas e sem submetê-las às agressões físicas, verbais ou psicológicas de nenhuma ordem.

Pelo fim da dupla jornada, com o atendimento total da demanda de creches e criação de restaurantes e lavanderias públicas em toda a cidade.

Por direitos garantidos para as empregadas domésticas, que são em sua maioria mulheres negras, que estão sujeitas a jornadas intermináveis, sem direitos ou pagamento de horas-extras, além de sofrerem humilhações e ofensas por parte dos empregadores.

Propomos impulsionar secretarias de mulheres e comissões de mulheres em todos os locais de trabalho e estudo para organizar a força das mulheres.

Defendemos uma Lei de Emergência contra a violência às mulheres e contra o transfeminicídio com a criação de casas de abrigo transitórias, com subsídio financeiro para as que estão fora dos locais de residência; assistência para reinserção no mercado de trabalho; empréstimos com taxa zero para poderem adquirir uma moradia; licença trabalhista remunerada para as vítimas de violência; licença dos locais de estudo, com garantia de acesso a professores em seus locais de residência; equipes multidisciplinares de assistência social e psíquica.

Pelo direito das mulheres