O racismo serviu ao acúmulo de capital no passado e ainda hoje beneficia a burguesia, herdeira dos senhores de escravos, e aprofunda a exploração da classe trabalhadora. Ao pagar salários inferiores e rebaixar as condições de vida dos negros, a burguesia e os patrões conseguem dividir toda a nossa classe e, assim, rebaixar os salários e condições de vida do conjunto da classe trabalhadora.

Os negros e principalmente as mulheres negras estão nos postos de trabalho mais precários, recebem os piores salários, são 9 de cada 10 entre os mortos pela polícia mais assassina do mundo. No capitalismo, as mulheres negras suportam o peso da exploração dos patrões, a opressão de gênero e o racismo.

Nos últimos anos, após o golpe institucional que veio para aprofundar o racismo e a exploração, diversas leis foram aprovadas nesse sentido. A reforma da previdência, que deixa milhões de trabalhadores sem o direito de aposentar. E a aprovação da lei que amplia de forma irrestrita a terceirização para todas as atividades e aumenta a desigualdade salarial entre homens e mulheres, negros e brancos. Não é coincidência que a terceirização tenha o rosto de uma mulher negra, nordestina e imigrante, sendo elas cerca de 90% das trabalhadoras nos piores postos de trabalho.

Também a reforma trabalhista, que atinge sobretudo as mulheres negras pois, entre outras medidas, avançam na precarização, legaliza o trabalho insalubre de mulheres grávidas. As mulheres negras ocupam a maioria dos postos do maior exército de empregadas domésticas do mundo, com 6 milhões de mulheres. Hoje são inúmeros jovens, maioria negros, que pedalam dia e noite para os aplicativos de entrega, sem qualquer direito garantido e por salários de baixíssimos. Também são a maioria entre os desempregados.

Por isso lutamos pela equiparação salarial entre homens e mulheres, negros e brancos. Basta de mulheres negras receberem 60% a menos que um homem branco. Pela revogação de todas essas leis anti-operárias. Por secretarias de negras e negros em cada local de trabalho.

Por igualdade salarial entre negros e brancos