As enormes manifestações nos Estados Unidos por justiça a George Floyd e mais recentemente por Jacob Blake, nos inspiram a enfrentar o racismo e a violência estatal e policial no Brasil. É preciso fortalecer a luta dos negros contra a violência policial que mata a cada dia nas periferias; a luta contra  desigualdade salarial que faz com que uma mulher negra ganhe até 60% a menos que um homem branco; contra a terceirização, que precariza as relações de trabalho submetendo os trabalhadores precarizados a maior exploração; o desemprego, que atinge principalmente a juventude negra; a falta de acesso à educação e ao lazer.

Vivemos em um país que conta com uma imensa herança da escravidão (foi o último país do mundo a aboli-la), em que os negros são sistematicamente os mais explorados e oprimidos. São a maioria no sistema carcerário e a minoria nas universidades. E hoje são a maioria dos que morrem pelas consequências da covid-19.

Essa candidatura é para expressar a luta incansável dos negros por libertação e por isso atuaremos com dois companheiros que são amplamente reconhecidos nessa batalha como Marcello Pablito e Letícia Parks, fundadores do Quilombo Vermelho – Luta Negra Anticapitalista, autores de diversos artigos e do livro A Revolução e o Negro. Lutamos pela igualdade salarial entre negros e brancos e contra a precarização do trabalho que atinge majoritariamente a população negra.

Contra a violência policial, precisamos lutar pelo fim dos autos de resistência, que na prática legalizam o extermínio policial sob qualquer pretexto. Basta de policiais serem julgados por tribunais compostos por militares. Todos os seus crimes devem ser julgados por júri popular. Liberdade imediata de todos os presos sem julgamento e os que foram julgados com sentenças deliberadas pelos interesses do judiciário, que sejam julgados pelos seus iguais, em júri popular.

Pelo fim da repressão estatal aos moradores de rua, garantia de casas de abrigo, educação e emprego. Nenhuma repressão a manifestações, greves e piquetes de trabalhadores e estudantes. Plenos direitos políticos a população.

Dissolução da Guarda Civil Metropolitana e suas tropas especiais, e criação de uma guarda comunitária conformada por trabalhadores e funcionários do serviço público municipal, controlada pelas organizações de trabalhadores e de direitos humanos, que esteja subordinada às Assembleias de Bairro e à Assembleia Comunal Municipal.

Contra o racismo e a violência policial